23
abr

Günter Graß e Israel – parte 2

Segue na íntegra o poema do escritor alemão Günter Graß que provocou a reação indignada de Israel e seus aliados:

 

Por que me calo, calo por tempo demais

Sobre o que é clarividente e foi ensaiado

em planos, em cujo final, como sobreviventes

nós somos notas de rodapé em todos os casos.

É o alegado direito do primeiro ataque,

que poderia apagar o povo iraniano

subjugado por um boquirroto

e dirigido ao júbilo coletivo,

porque a construção de uma bomba atômica

em sua esfera de poder é cogitada.

Mas por que me nego,

a tratar pelo nome um outro país

no qual há anos — embora em segredo —

um crescente potencial nuclear está disponível

mas fora de controle, por que nenhuma prova

é acessível?

O silêncio generalizado desse fato,

ao qual se subordina o meu silêncio,

eu considero como uma mentira permanente

e obrigatória, que enfrenta punições

tão logo ele seja quebrado:

o veredicto de “antissemitismo” é imediato.

Agora porém, que meu país,

cujos crimes antigos,

que são inigualáveis,

uma vez e outra são trazidos à tona

de novo e de maneira protocolar, mesmo que

com lábios ágeis declara como reparação,

o envio a Israel

de mais um submarino, cuja especialidade

consiste em levar ogivas devastadoras de tudo

a um lugar, onde a existência

de uma única bomba atômica não foi provada

mas será pelo temor da força das provas,

digo o que deve ser dito.

Por que, porém, calei até agora?

Porque achava que minha origem,

que é manchada por uma mácula que nunca pode ser apagada

proibia atribuir esse fato como verdade anunciada

ao país Israel, ao qual eu sou ligado e

ao qual quero permanecer ligado.

Por que só digo agora,

envelhecido e com tintas finais:

a potência atômica Israel põe em risco

a já frágil paz mundial?

Por que é preciso dizer

aquilo que já pode ser tarde demais amanhã:

também porque nós — como alemães já suficientemente sobrecarregados —

poderíamos nos tornar cúmplices de um crime

que é previsível, causa pela qual nossa cumplicidade

não poderia ser amenizada

por nenhuma das desculpas costumeiras.

E admito: não me calo mais

porque estou cansado da hipocrisia do Ocidente;

além disso, há a esperança

de que vários se libertem do silêncio,

e instem o causador do perigo evidente

a abdicar da violência

e ao mesmo tempo insistam,

para que haja um controle sem restrições e permanente

do potencial atômico israelense

e das instalações nucleares iranianas

por uma instância internacional

com acesso permitido pelos governos de ambos os países.

Só assim se pode ajudar os israelenses e palestinos,

mais ainda, todas as pessoas, que nessa região

ocupada pela loucura

lado a lado vivem em inimizade,

e finalmente nós também.

Por que me calo, calo por tempo demais

Sobre o que é clarividente e foi ensaiado

em planos, em cujo final, como sobreviventes

nós somos notas de rodapé em todos os casos.

É o alegado direito do primeiro ataque,

que poderia apagar o povo iraniano

subjugado por um boquirroto

e dirigido ao júbilo coletivo,

porque a construção de uma bomba atômica

em sua esfera de poder é cogitada.

Mas por que me nego,

a tratar pelo nome um outro país

no qual há anos — embora em segredo —

um crescente potencial nuclear está disponível

mas fora de controle, por que nenhuma prova

é acessível?

O silêncio generalizado desse fato,

ao qual se subordina o meu silêncio,

eu considero como uma mentira permanente

e obrigatória, que enfrenta punições

tão logo ele seja quebrado:

o veredicto de “antissemitismo” é imediato.

Agora porém, que meu país,

cujos crimes antigos,

que são inigualáveis,

uma vez e outra são trazidos à tona

de novo e de maneira protocolar, mesmo que

com lábios ágeis declara como reparação,

o envio a Israel

de mais um submarino, cuja especialidade

consiste em levar ogivas devastadoras de tudo

a um lugar, onde a existência

de uma única bomba atômica não foi provada

mas será pelo temor da força das provas,

digo o que deve ser dito.

Por que, porém, calei até agora?

Porque achava que minha origem,

que é manchada por uma mácula que nunca pode ser apagada

proibia atribuir esse fato como verdade anunciada

ao país Israel, ao qual eu sou ligado e

ao qual quero permanecer ligado.

Por que só digo agora,

envelhecido e com tintas finais:

a potência atômica Israel põe em risco

a já frágil paz mundial?

Por que é preciso dizer

aquilo que já pode ser tarde demais amanhã:

também porque nós — como alemães já suficientemente sobrecarregados —

poderíamos nos tornar cúmplices de um crime

que é previsível, causa pela qual nossa cumplicidade

não poderia ser amenizada

por nenhuma das desculpas costumeiras.

E admito: não me calo mais

porque estou cansado da hipocrisia do Ocidente;

além disso, há a esperança

de que vários se libertem do silêncio,

e instem o causador do perigo evidente

a abdicar da violência

e ao mesmo tempo insistam,

para que haja um controle sem restrições e permanente

do potencial atômico israelense

e das instalações nucleares iranianas

por uma instância internacional

com acesso permitido pelos governos de ambos os países.

Só assim se pode ajudar os israelenses e palestinos,

mais ainda, todas as pessoas, que nessa região

ocupada pela loucura

lado a lado vivem em inimizade,

e finalmente nós também.

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22
abr

Paulo César Pereiro, Tiririca, os carros e o Orkut

O ator Paulo César Pereiro (famoso também pela sua inconfundível voz) será candidato a vereador nas próximas eleições pela cidade de São Paulo. O candidato do PSB deu entrevista declarando que quer “proibir os carros em São Paulo“. Antecipando-se ao fato de ser encarado como uma piada, Paulo César declarou que quer ser levado à sério: “Não sou o Tiririca“. São Paulo sem carros? Todo mundo vai ter que andar exclusivamente nos transportes públicos? Ou de moto? Acho que nem tudo o que é sólido se desmacha no ar… Mas o que mais me chamou a atenção foi outra fala: “Sou muito presente na internet, tenho até orkut“! Florentina, Florentina, Florentina de Jesus…!

Entrevista na íntegra: PAULO CÉSAR PEREIO

 

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17
abr

DIREITO DE RESPOSTA DE MICHELLE TRUGILHO

A equipe de História do Colégio e Curso Intellectus reproduz e apoia o Direito de Resposta da professora Michelle Trugilho:

PROFESSORA ACUSADA DE AGRESSÃO.
DIREITO DE DEFESA.

“Calma, professora”. Foi esse o título de uma das reportagens publicadas ontem no O Globo. Nela, o jornalista escreveu sobre uma professora, provavelmente louca, que atirou o tamanco contra uma aluna, enquanto tentava colocar ordem na turma. Essa professora, supostamente desequilibrada, é a mesma que agora vos escreve.

Da reportagem acima referida, cujo conteúdo foi repetido em diversos outros jornais, eu posso retirar algumas lições importantes para repassar aos meus alunos. A primeira
delas é sobre a importância de filtrarmos e analisarmos criticamente tudo o que
é veiculado na mídia, visto que, muitas vezes, “profissionais” mal informados,
que não tem a preocupação de investigar os fatos e, no afã desenfreado de
conseguir ibope, publicam matérias superficiais, com uma única versão,
repassada como verdade absoluta.

A segunda lição que posso transmitir aos meus alunos, enquanto professora de história, é
a utilização desse caso como mais um exemplo de algo que eles estão cansados de
me ouvir falar: “todos os fatos precisam ser analisados dentro do seu
contexto”. Aproveito, então, para esclarecer que o arremesso da sandália (e não
do tamanco) foi feito num momento de total descontração, em que a aula fluía na
mais perfeita ordem, tendo caído, calculadamente, ao lado do aluno a quem a
brincadeira, e jamais a repreensão, foi direcionada, o qual se sentava bem
distante da aluna cuja mãe registrou ocorrência contra mim na delegacia por
MAUS TRATOS. Depois disso, a mesma cidadã entrou com um processo criminal,
também contra a minha pessoa, e, como não obteve o resultado desejado, entrou
com um novo processo, dessa vez contra a escola, alegando de forma
inescrupulosa, sem qualquer prova material ou testemunhal, que eu havia
atingido a filha dela com um tamanco durante a aula.

O processo movido contra a escola foi julgado improcedente pela juíza em primeira
instância, com a total concordância do promotor, presente na audiência para
defender os interesses da menor. Entretanto, um recurso do mesmo processo acaba
de ser julgado em segunda instância, condenando a escola, por decisão unânime
dos desembargadores, a pagar cinco mil reais à autora por danos morais.

Dito isto, podemos retirar deste caso uma nova e lamentável lição: neste país não há
problemas em se fantasiar uma história, apresentá-la ao judiciário, dispensando-se
a produção de provas, sem se preocupar com os danos materiais e psicológicos
que podemos causar a terceiros. Podemos até nos empenhar na tentativa cruel de
destruir a bela carreira de uma pessoa, denegrindo a sua imagem e, ainda assim,
ser premiado com uma boa quantia em dinheiro. Tomara que isso não vire moda!

Aproveito a ocasião para esclarecer também que, ao contrário do que foi dito nos jornais,
eu não fui demitida da escola em questão, cujo nome, assim como o meu, foi
covardemente exposto na mídia. A escola não cometeria essa injustiça baseada
numa história sem provas e que contraria toda a minha trajetória. Do mesmo
modo, afirmo, com toda certeza, que o colégio não teria mantido no seu quadro
de funcionários uma professora que fosse capaz de agredir um aluno.

Gostaria,ainda, de manifestar a minha concordância com certo desembargador ao afirmar
que o bom professor é aquele que consegue dar uma aula prazerosa. Era
exatamente o que eu fazia em meio a uma brincadeira bem aceita pelos alunos da
turma, que demonstraram grande tristeza quando, na aula seguinte, eu expliquei
que não poderia agir da mesma maneira porque a brincadeira havia sido mal
interpretada. Só quem está diariamente em sala de aula sabe como definir a
melhor maneira de se trabalhar em cada turma, o que acredito não ser o caso do eminente
desembargador. Aproveito o ensejo, para dar, então, a minha opinião sobre o que
é ser um bom desembargador. Defino desta maneira, o profissional que tem plena
consciência da imensa responsabilidade que tem nas mãos e que julga cada caso
com zelo e eficiência, analisando de forma detalhada suas indispensáveis
provas, sem deixar de se preocupar com o peso das suas decisões sobre a VIDA
das pessoas envolvidas. Deixo aqui a certeza, baseada na minha experiência, de
que brincadeiras como estas, ao contrário do que foi dito pelo desembargador,
não transformam a sala de aula numa extensão do recreio, lamentando não poder
dizer o mesmo do judiciário brasileiro cujas decisões, muitas vezes, fazem com
que nos envergonhemos de viver num país que é o paraíso dos corruptos e
desonestos, de um modo geral, premiados por suas atitudes, enquanto inocentes
são covardemente punidos.

 

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9
abr

Gunter Graß e Israel – parte I

Gunter Graß foi agraciado com o prêmio Nobel em 1999. O livro mais conhecido de Graß no mercado brasileiro é “O Tambor“. A obra foi adaptada no cinema com o mesmo título e foi um dos mais originais e desconcertantes filme sobre a II Guerra Mundial que já tive a oportunidade de assistir.

Já tentei, entretanto, ler “O Tambor” e mais uma ou duas outras obras de Graß. Em vão. Já comentei isto com meu amigo Paulo Aprígio. Aparentemente existem autores que não conseguimos compartilhar aquele intimismo necessário para entrarmos na trama, na história, e ler sem parar.

Graß, entretanto, é também conhecido pelas polêmicas. Uma delas reside no fato de ter admitido participação em organizações nazistas ao final da II Guerra Mundial ainda como adolescente.

A mais recente polêmica envolvendo Graß, todavia, ocorreu com a publicação de um poema em que o escritor alemão ataca Israel e a política de seu governo que, segundo o autor, ameaça a existência do Irã e a frágil paz mundial. Se qualquer outro escritor tivesse proferido estas palavras o celeuma já estaria no ar, mas um autor alemão com passado engajado em atividades nacional-socialistas torna o assunto ainda mais espinhoso. Resultado da equação para os críticos de Graß: o escritor é antissemita. (continua)

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28
mar

Conteúdos da PROVA 1o BIM 3o ano EM

Conteúdos da PROVA 1o BIM 3o ano EM:

RENASCIMENTO ARTÍSTICO E CULTURAL

REFORMA PROTESTANTE

ANTIGO REGIME

EXPANSÃO MARÍTIMA ATLÂNTICA

BRASIL COLÔNIA

TRÁFICO NEGREIRO

UNIÃO IBÉRICA

SOCIEDADE COLONIAL NA AMÉRICA PORTUGUESA

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28
mar

Conteúdos da Prova do 1o BIM 2o ano do EM MANHÃ

Conteúdos da Prova do 1o BIM 2o ano do EM MANHÃ:

ESTADOS UNIDOS NO SÉCULO XIX

UNIFICAÇÕES ALEMÃ E ITALIANA

II REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

IMPERIALISMO

CRISE DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

REPÚBLICA DA ESPADA

CONSTITUIÇÃO DE 1891

 

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27
mar

Conteúdos da Prova do 1o BIM 2o ano EM TARDE

Conteúdos da Prova do 1o BIM 2o ano EM TARDE:

ESTADOS UNIDOS NO SÉCULO XIX

CRISE DO II REINADO E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

CONSTITUIÇÃO DE 1891

REPÚBLICA DA ESPADA

IMPERIALISMO

OS ANTECEDENTES DA I GUERRA MUNDIAL

 

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26
mar

Conteúdos das provas do 2o e 3o anos do EM

Serão postados até amanhã de noite!

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26
mar

Conteúdos da PROVA 1o BIM 9o ano EF TARDE:

Conteúdos da PROVA 1o BIM 9o ano EF TARDE:

ANTECEDENTES DA I GUERRA MUNDIAL

A TRANSIÇÃO DA MONARQUIA PARA A REPÚBLICA NO BRASIL

A REPÚBLICA DA ESPADA

A REPÚBLICA OLIGÁRQUICA

REBELIÕES NA REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: MOVIMENTOS RURAIS

REBELIÕES NA REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: MOVIMENTOS URBANOS

 

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26
mar

Conteúdos da PROVA 1o BIM 9o ano EF MANHÃ

Conteúdos da PROVA 1o BIM 9o ano EF MANHÃ:

ANTECEDENTES DA I GUERRA MUNDIAL

A TRANSIÇÃO DA MONARQUIA PARA A REPÚBLICA NO BRASIL

A REPÚBLICA DA ESPADA

A REPÚBLICA OLIGÁRQUICA

REBELIÕES NA REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: MOVIMENTOS RURAIS

REBELIÕES NA REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: MOVIMENTOS URBANOS

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