07/04/2012 - 03h46
Chuvas deixam cinco mortos na região serrana do Rio de Janeiro
fonte: http://www1.folha.uol.com.br
Caros leitores, mais uma vez assistimos uma tragédia no Rio de Janeiro em meio a fortes chuvas na região Serrana. Lamentavelmente é um fenômeno recorrente em todos os anos. Sabemos as causas, mas alguns ainda perguntam: Por que isto sempre se repete?
Uma das vertentes da geografia, a geomorfologia, nos ensina que os movimentos de massa tem explicações naturais e antrópicas, muitas vezes concomitantes, que agora passamos a discorrer.
Movimentos de massa em encostas, quando de origem natural, fazem parte do processo de erosão das mesmas, ou seja, é absolutamente natural. Muitas vezes são vistos como manifestações do “envelhecimento” das formas do relevo. Podem ocorrer tanto em ambientes úmidos, o que é mais frequente, como também em áreas mais secas. Observe o esquema abaixo.

Como se pode observar, há uma série de varáveis que desencadeiam tais fenômenos: a declividade do terreno, a extensão da encosta, o tipo de rocha, a profundidade dos solos e os índices de pluviosidade. Em geral, quanto mais acentuados tais fatores, mais material sedimentar tende a se movimentar. Ontem, por exemplo, 6/4/2012, em Teresópolis, foram 160 mm de chuvas em apenas quatro horas, o que seria esperado para todo o mês.
Nestas condições, ocorre o que se chama escorregamento, uma grande parte de um sedimento se solta em um pedaço único em vez de em pequenas partes. Acontece quando a base não pode mais suportar o peso que está no topo. O sedimento envolvido geralmente está molhado ou se assemelha a barro, e quase sempre a água é o fator da descida. A água acrescenta massa à camada superior do sedimento ou desgasta o solo na base, enfraquecendo a ligação entre as camadas superior e inferior. É possível que você já tenha visto um escorregamento, se já tiver ido a um lago ou à praia e ficou parado na areia molhada: ele simplesmente afunda em um único bloco. http://ambiente.hsw.uol.com.br/deslizamento-de-terra1.htm
Para entender melhor observe a animação no link abaixo indicado: http://ambiente.hsw.uol.com.br/deslizamento-de-terra.htm
Por outro lado, sabemos que as intervenções antrópicas também tem “certa” responsabilidade nisso. Construções desordenadas, desmatamentos, despejo de lixo e esgoto nas encostas e principalmente o descaso das autoridades com o problema, têm contribuído muito com as perdas humanas e materiais nestas ocorrências.
Temos a triste lembrança do morro do Bumba, em Niterói, que está completando dois anos de uma tragédia sem fim, inclusive porque o número de mortos, 47, é inferior ao de desaparecidos, 54. Não esquecendo que há 300 desabrigados.

O descaso fica evidente ao ler o artigo a seguir.
“RIO – O local onde aconteceu o deslizamento de terra no Morro do Bumba, em Niterói, abrigou, de 1970 até 1986, o segundo lixão de Niterói, no bairro Viçoso Jardim. O primeiro funcionou durante muitos anos no aterrado São Lourenço, no bairro do mesmo nome, hoje totalmente urbanizado. A cor preta do solo que deslizou é resultado da decomposição do lixo. A região não é muito íngreme.
Com o saturamento do lixão, no final do governo de Wellington Moreira Franco, a prefeitura ficou sem opção para dar destino final ao lixo da cidade. A primeira tentativa foi de levar os detritos para o aterro sanitário do Engenho Pequeno, em São Gonçalo, onde a prefeitura niteroiense chegou a investir, na época R$ 600 mil.
A comunidade local, no entanto, reagiu, e, durante dois anos, Niterói levou seu lixo para o aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.
Com a desativação do lixão no Morro do Bumba, foi proibida a ocupação do local, no governo Waldernir Bragança, mas aos poucos, por falta de fiscalização, foram construídas pequenas casas de alvenaria.
Em vez de reprimir a ocupação irregular do antigo lixão, o poder público acabou por incentivar a invasão. Foi no Morro do Bumba que a Cedae, no governo Leonel Brizola, fez sua primeira grande obra de saneamento em Niterói, levando para o local, de helicóptero, uma grande caixa de água para atender aos moradores. Logo depois, Brizola (que é nome de rua no local), levou para o Bumba o programa Uma Luz na Escuridão. Mais tarde, a prefeitura construiu uma escola municipal e levou para a comunidade o programa Médico de Família. O local ganhou uma grande quara poliesportiva, uma creche e outros equipamentos públicos.
As grandes favelas de Niterói surgiram e cresceram em áreas públicas. É o caso dos Morros do Estado, do Cavalão, do Preventório e da Favela do Sabão. Na década de 90, o então prefeito João Sampaio desapropriou uma área em frente ao Morro do Bumba para instalar ali o novo aterro sanitário de Niterói. O local, contudo, foi invadido e hoje é uma favela de casas de alvenaria.
Atualmente, o lixo da cidade é depositado no Morro do Céu, próximo ao local onde ocorreu o deslizamento. O aterro, no alto de um morro, foi construído sob protesto de ambientalistas e foi alvo de várias ações na Justiça. Antes de ser controlado, o aterro atraiu muitos catadores, que acabaram invadindo áreas próximas para construir suas casas,
inclusive no Morro do Bumba.”
fonte: http://oglobo.globo.com/rio/morro-do-bumba-abrigou-ate-1986-segundo-lixao-de-niteroi-3026928
Em Teresópolis, ainda tivemos a agravante da cassação do prefeito Jorge Mário Sedlaceck, que havia sido afastado em agosto de 2011, por mau uso do dinheiro para as obras de recuperação da cidade, atingida por fortes chuvas que levaram a morte de 392, em janeiro de 2011. A cidade ainda enfrentava então muitas dificuldades, e agora mais uma vez é castigada por chuvas torrenciais.
Até quando irão desprezar os efeitos catastróficos desta combinação das forças da natureza e descaso humano?
O tema no vestibular.
UERJ 2010
Deslizamento sobre o túnel Rebouças
A liberação do túnel Rebouças, no Rio de Janeiro, interditado desde a noite desta terçafeira(23), pode demorar uma semana. Grandes volumes de terra – num total de cerca de6000 toneladas – deslizaram no local, segundo a Secretaria Municipal de Obras.

Com base na notícia acima, apresente duas causas para a ocorrência de deslizamentos de encostas e duasmedidas preventivas para impedir ou atenuar as consequências desse fenômeno.
GABARITO
Duas das causas:• solos com baixa infiltração• retirada da cobertura vegetal• acúmulo de lixo nas encostas• ocupação irregular de encostas• elevada inclinação das encostas• chuvas intensas e/ou de grande duração/altura
Duas das medidas:• educação ambiental• recolhimento de lixo• uso de sistemas de alerta• reflorestamento de encostas• fiscalização da ocupação de encostas• implantação de programas de habitação popular• remoção da população de áreas com risco de deslizamento• realização de obras de contenção tecnicamente mais adequadas